terça-feira, 11 de agosto de 2009

Aspectos históricos da India

Quando a Terra estava se formando, a Índia era uma ilha e ao chocar com o continente deu-se a formação do Himalaia. É incrível pensar que esta cadeia de montanhas tenha sido praia um dia, mas foram encontrados fósseis de animais marinhos e conchas em suas terras. Isto ocorreu há vinte ou trinta milhões de anos atrás, antes do aparecimento de humanos na Terra.Os três rios principais da Índia: Indus, Ganga (Ganges) e Brahmaputra nascem no Himalaia. O Indus começa no Tibet, perto do lago Mansarovar, e corre por 2880 km até encontrar o Mar da Arábia no leste de Karachi. É o mais longo dos três rios. O Ganga nasce no Himalaia em Uttar Pradesh. O Brahmaputra também nasce no Tibet, na região conhecida como Tsang Po. O Ganga e o Brahmaputra se encontram antes de desaguar na Baía de Bengala. Na planície entre o Ganga e o Indus há o Deserto Thar e as colinas Aravalli.Os mais antigos sinais de vida humana na região foram encontrados em Rawalpindi (no atual Paquistão). Ferramentas de 2 milhões de anos foram achadas neste sítio e no estado de Maharashtra, em Bori. Nas colinas Shivalik, no Himalaya, foi encontrado o esqueleto de um "homem macaco" do tipo Ramapitecus de 10 a 14 milhões de anos. Um sítio arqueológico interessante do período mesolítico é Bagor, no Rajastão. Nas cavernas de Bhimbekta, em Madhya Pradesh, podemos ver pinturas rupestres. Até este estágio da vida humana, os povos de todo o mundo viveram uma vida simples, caçando animais e colhendo frutos e sementes para comer. Todos viviam da mesma maneira, até o período neolítico, quando mudaram o modo de vida para um modo mais seguro, passando a cultivar a terra e domesticar os animais. Isso ocorreu por volta de 10 000 anos AC. Apesar da multiplicidade étnica e cultural que caracteriza a Índia, ela sempre possuiu uma tendência essencial à unidade, tendência essa que a manteve uma cultura viva até nossos dias. O grande acontecimento histórico que fundamentou a cultura indiana foi a invasão dos ários que penetraram pelo noroeste da Índia, região do Punjab, entre 1500 e 800 A.C., ou mesmo antes disto. Eles encontraram no Paquistão, no vale do Indus, uma das primeiras civilizações do mundo, maior que a do Egito e Mesopotâmia juntas, com uma organização social grandemente desenvolvida. Provavelmente num período aproximado de 3000 a 2000 anos aC, floresceu no vale do Indus a civilização do mesmo nome. De 1921 a 1931, escavações realizadas por John Marshal e sua equipe desenterraram as ruínas das cidades de Moenjodaro e harappa. A civilização do Indus foi notadamente urbana e um ápice de cultura no mundo da época. Toda dividida em bairros cortados por ruas formando quadras, geometricamente exatas, Moenjodaro é chamada de "cidade moderna da antiguidade". As casas eram simples, mas com infraestrutura como cisternas, banheiros e andares superiores e inferiores. Havia também edifícios públicos e supõe-se, pelo que foi encontrado, que havia um sistema de troca de gêneros e uma administração central, composta principalmente por autoridades religiosas.Harappa é também considerada outra "capital" do Império do Indus, mas tinha algumas diferenças, como o fato de o celeiro estar localizado fora da cidade, pois a proximidade com o rio Ravi permitia que toda a vizinhança transportasse por via fluvial os gêneros para serem estocados. O tradicional banho ritual dos hindus é refletido pelos intrincados sistemas de fornecimento de água de Harappa, assim como um organizado sistema de coleta de lixo. Vemos nesta civilização pré-védica, anterior à invasão dos ários, obras importantes de arquitetura. Situada na margem esquerda do agora seco rio Ghaggar, no Rajastão, Kalibangan revela o mesmo padrão das cidades citadas acima, mostrando grande desenvolvimento, assim como Lothal, situada não muito longe do Golfo de Cambay, e Surkotada, a 270 km de Ahmedabad, no Gujarat. A cerâmica é muito presente nestes sítios todos, e além da utilitária, temos também objetos artísticos, como figuras de terracota delicadas mostrando o grau avançado da civilização. O povo do Indus desenvolveu também a tradição de esculturas em pedra, como a bela representação de um homem em estado de meditação em Mohenjo-daro e as esculturas representando jovens dançarinas em Harappa. O trabalho em metal é significativo, como a figura feminina de Mohenjo-daro com seus adornos finamente representados. A fertilidade do vale proporcionava uma vida de abundância, provavelmente trabalhndo na agricultura, usando a bacia do Indus como meio de transporte, negociando por terrra e, segundo indícios, também por via marítima com a Asia Central, o Sul da Índia, com a Pérsia e o Afeganistão.As causas do declínio e desaparecimento desta civilização podem ter sido enchentes, epidemias e secas. Mas a hipótese mais possível é de que sucessivas incursões de arianos vindos do Noroeste tenham, aos poucos, dizimado a população. Os arianos viviam provavelmente na Ásia Central, no planalto que é hoje o deserto de Gobi. Segundo vários achados arqueológicos e também segundo as narrações Históricas budistas pensa-se que neste deserto havia um mar interior e que numa ilha deste mar existia uma cidade. Era desta ilha que partiam os arianos, migrando em várias direções e subjugando outros povos. Eles foram empurrados provavelmente por cataclismos naturais tornando-se assim invasores que impunham facilmente sua inteligência e força. Eles possuíam elevada estatura e pele clara e muitos excursionaram para o oeste, tornando-se antepassados dos gregos, celtas e latinos.As origens do Hinduísmo podem ser traçadas desde esta precoce civilização. A sociedade era dirigida mais pelos sacerdotes do que pelos reis, pois aqueles intercediam com os deuses, ditavam as regras sociais e também assuntos legais, como posse de terras. Figuras de barro foram encontradas representando a Deusa Mãe, mais tarde personificada como Kali, e também uma representação masculina, com três faces sentada em atitude de yoga, rodeada por quatro animais, uma das mais antigas representações do deus Shiva. Pilares de pedra preta (adoração ao falo de Shiva como princípio criativo) também foram encontrados. Estas são as mais antigas formas de adoração, mostrando rituais ainda simples, que depois foram substituídos pelos rituais dos brâamanes que passaram a ter exclusividade neste papel.Talvez a civilização do Indus já estivesse em declínio quando da invasão ária, e isso somente acelerou a derrocada. Isso pode explicar o porquê de os Vedas considerarem os dravidas como bárbaros e primitivos. Sabemos, entretanto que a língua dos dravidas do sul era falada antes da invasão, indicando a coexistência pré-ariana da escrita dravidiana e do Indus. Talvez com a invasão ária, muitos drávidas tenham migrado para o sul, explicando a presença de tal língua fora do vale do Indus. Hoje a língua dravidiana é falada no sul da Índia e no Beluquistão Central, e tem o brahmi como um de seus ramos.A civilização Védica foi criação dos ários, que elaboraram uma série de hinos religiosos que foram organizados e são conhecidos como os "Vedas". Essas escrituras são o fundamento do Hinduísmo, absolutamente intrínseco à própria história da Índia.A ordem social que reflete a assimilação dos Ários e a supremacia dos sacerdotes se consolidou no sistema de castas, que sobrevive até hoje de certa forma. O controle sobre a ordem social foi mantido por regras estritas destinadas a assegurar a posição dos Brãmanes, os sacerdotes. Foram elaborados tabus concernentes a casamentos, dietas, e convívio social.Durante um curto período de tempo (séculos V a.C. a III a.C.) os persas tomaram o noroeste da Índia. Um jovem príncipe iniciou uma dinastia (o Império Mauna).e seu neto, Ashoka, acabou sendo o governante que mais marcou a India antiga, pois viajou por toda ela, tornando-se muito popular. Nos séculos seguintes, vários reinos se formaram, todos independentes, e com características culturais e línguas diferentes.

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